Plural · simulador do orçamento federal 2026

Quem ganha e quem perde quando o governo liga ou desliga uma rubrica

Informe sua renda familiar e marque o que fica ligado. O simulador mostra o impacto por faixa de renda — dos pobres aos bilionários — e destaca a sua faixa.

Deixe em branco para ver apenas a visão geral. Usa SM 2026 = R$ 1.518.
sua faixa
—
informe sua renda

Despesas 0 ligadas

Desligar uma despesa tira renda de quem a recebe hoje.

    Receitas (tributos) 0 ligadas

    Desligar uma receita devolve ao contribuinte o que deixa de pagar.

      Impacto por faixa de renda familiar

      Dez faixas, dos pobres aos bilionários. Com tudo ligado, o gráfico fica em zero.

      Pobres Classe média Ricos Muito ricos
      FaixaRenda típicaFamíliasΔ R$/mês/famíliaΔ como % da renda
      Como o cálculo é feito (em linguagem simples)

      Pense no governo federal como uma caixa com duas portas. Pela porta das receitas, entra o dinheiro que os brasileiros pagam em impostos. Pela porta das despesas, sai o dinheiro que vira benefício, salário público ou serviço. Cada item que entra ou sai afeta pessoas diferentes.

      Para saber o impacto de ligar ou desligar um item, fazemos três contas:

      1. Quanto dinheiro é. Olhamos o valor anual no orçamento 2026. Exemplo: o Bolsa Família custa R$ 162,6 bilhões por ano.

      2. Para onde esse dinheiro vai. Estudos do IPEA, do Banco Mundial e do World Inequality Database nos dizem como cada programa se distribui pelas faixas de renda. Para o Bolsa Família, 55% vai para famílias em Pobreza extrema, 30% para Pobreza, 10% para Vulneráveis, 4% para Classe média baixa, 1% para Classe média, e 0% das classes média alta para cima.

      3. Divide pelas famílias da faixa, divide por 12 meses. Em "Pobreza extrema" moram 11,5 milhões de famílias. Dos R$ 162,6 bi do PBF, 55% (R$ 89,4 bi) vai para elas. Divide por 11,5 mi de famílias e por 12 meses: dá R$ 648/mês por família.

      Fórmula compacta:

      Impacto R$/mês = (R$ anual do item × % que vai para sua faixa) ÷ (famílias da faixa × 12)

      O que o número do simulador significa

      Número negativo (vermelho): a família perde renda. O governo deixou de pagar algo que ela recebia.

      Número positivo (verde): a família ganha renda. Ela deixa de pagar um imposto que recolhia.

      É sempre uma MÉDIA, não o seu caso específico. Nem todas as famílias de uma faixa recebem Bolsa Família ou pagam IRPF. Algumas recebem muito, outras nada. O número do simulador é o estrago (ou o ganho) espalhado por igual entre todas as famílias da faixa — como fotografia da fatia, não da sua casa.

      Exemplo: se um bairro de 100 famílias perde R$ 10 mil de verba pública, o impacto médio é R$ 100/família. Na vida real, umas 20 famílias podem ter perdido R$ 500 cada e as outras 80 nada. O R$ 100 descreve o bairro, não cada casa.

      E o "custo de reposição privada"?

      Quando o Estado deixa de oferecer um serviço gratuito (SUS, Educação, Farmácia Popular), a família que precisava dele vai ter que pagar pelo equivalente privado — e o privado quase sempre custa mais caro que o custo do Estado.

      Marcando a opção "Incluir custo de reposição privada", o simulador multiplica a perda do serviço por um fator que estima quanto o mercado privado cobra pelo mesmo serviço:

      • SUS × 3,5: plano de saúde médio custa cerca de 3,5× o gasto per capita do SUS (fonte: ANS, IBGE PNS 2019).
      • Educação × 2,5: escola privada cobra cerca de 2,5× o gasto público por aluno (fonte: INEP, Censo Escolar).
      • FUNDEB × 2,5: mesma lógica da educação básica.
      • Farmácia Popular × 2: medicamento comprado em farmácia comum custa cerca de 2× o distribuído pelo programa.
      • Benefícios em dinheiro (Bolsa Família, BPC, Aposentadorias) ficam × 1 — não têm substituto privado óbvio.

      Essa multiplicação faz uma suposição conservadora: todas as famílias que recebiam o serviço precisariam comprar o equivalente privado. Na prática, parte das famílias ficaria sem (sem SUS, muita gente simplesmente deixa de se tratar), então o impacto REAL pode ser diferente do que o número mostra — mas o número ajuda a enxergar que "cortar o SUS" não é só uma economia para o Estado: é uma transferência de custo para o cidadão.

      De onde vêm os dados

      Valores em R$: despesas da LOA 2026 atualizada (Portal da Transparência / CGU); receitas da arrecadação federal jan-ago/2026 (Receita Federal / CETAD), anualizada.

      Faixas de renda: PNAD Contínua 2024 do IBGE, ajustada para 2026 por inflação. As faixas de milionários e ultra-ricos (bem no topo) foram calibradas com o World Inequality Database e com os dados de declarações de IR da Receita Federal.

      Como o dinheiro se distribui entre as faixas: Souza et al. (IPEA 2019 e 2024), Lustig e Pereira (CEQ Brasil 2016), Silveira (IPEA 2010), Banco Mundial (2017), POF 2017-18 do IBGE e Pesquisa Nacional de Saúde 2019.

      O que o simulador NÃO faz

      • Não recoloca famílias em outras faixas quando o programa é cortado (quem perde o PBF fica empobrecido, mas o modelo não a tira da faixa onde está).
      • Não simula efeitos de segunda ordem (menos renda → menos consumo → menos emprego).
      • Serviços como SUS e Educação são valorados pelo custo de provisão, não pelo valor que o uso tem para cada pessoa.
      • Horizonte de 1 ano; não projeta efeitos futuros (como juros compostos ou formação de capital humano).
      • Os coeficientes de incidência têm margem de erro de ±20 a 30%; os números são ordens de grandeza, não valores precisos.

      Memória de cálculo detalhada em docs/modelagem.md. Coeficientes em data/model/fatias.json.